Paraguai deve acelerar obras para início do uso integral da segunda ponte entre os dois países, única forma de melhoraro fluxo de veículos, produtos e pessoas na fronteira.
Não é aceitável colocar setores estratégicos da economia em risco para compensar gargalos gerados pelo poder público. Com esse posicionamento, a Associação Comercial e Empresarial de Foz do Iguaçu (ACIFI) defende que turismo e logística avancem de forma integrada na fronteira entre Brasil e Paraguai.
Para a entidade, a Ponte da Amizade deve ser tratada como um dos eixos estratégicos do desenvolvimento econômico da região trinacional, sendo assegurada a livre circulação de pessoas, veículos e mercadorias entre os dois países. Com efeito, a melhoria da mobilidade depende da aceleração, por parte do Paraguai, das obras necessárias para viabilizar o uso integral da Ponte da Integração.
Foz do Iguaçu, Ciudad del Este, Presidente Franco, Puerto Iguazú e demais cidades vizinhas formam um polo turístico, comercial, industrial e logístico, no qual um setor não apenas complementa, como também reforça o outro. Trata-se de uma das fronteiras mais movimentadas da América Latina, o que requer soluções equilibradas e técnicas para problemas comuns.
Nesse contexto, turismo e logística não devem ser tratados como atividades concorrentes em nenhum âmbito, seja na esfera pública ou privada. O crescimento das indústrias paraguaias, das empresas instaladas sob o regime de maquila, do comércio e do setor agropecuário, por exemplo, depende diretamente de uma logística eficiente.
“Essas atividades necessitam receber matérias-primas e escoar sua produção de forma contínua e previsível. Somos contrários a qualquer bloqueio ao avanço conjunto da economia do Brasil e do Paraguai”, afirma Felipe Kirchheim, diretor de Comércio Exterior da ACIFI. “Restrições excessivas ou mudanças sem planejamento podem aumentar custos, provocar atrasos, comprometer processos produtivos e reduzir a competitividade regional.”
O dirigente empresarial também ressalta que é indispensável considerar as condições de trabalho dos motoristas e os riscos suportados pelas empresas transportadoras. “A concentração das operações no período noturno, sem estrutura adequada de segurança, iluminação, alimentação, descanso e instalações sanitárias, não representa uma solução permanente ou sustentável”, reforça Felipe.
“Operação noturna”
Esse procedimento é utilizado há vários anos em Foz do Iguaçu, na margem brasileira, como alternativa para permitir o escoamento do elevado volume de cargas. Contudo, essa excepcionalidade não pode ser normalizada como resposta definitiva às limitações operacionais da fronteira.
A presença de caminhões parados sobre a Ponte da Amizade, transformando a via em uma espécie de estacionamento, é um problema real que afeta turistas, moradores, trabalhadores, transportadores e operadores do comércio exterior. Esse represamento decorre, principalmente, do expressivo aumento do fluxo logístico entre Brasil e Paraguai.
Porém, esse movimento traz resultados altamente positivos para os dois países e, especialmente, para o desenvolvimento econômico da região. Assim, para a ACIFI, o crescimento das operações demonstra o fortalecimento do comércio bilateral, da indústria, da produção e da integração regional.
Paraguai precisa acelerar obras
Enquanto não for concluída a ponte sobre o Rio Monday, obra em Presidente Franco indispensável para a plena utilização da Ponte da Integração e para a reorganização do fluxo de cargas na fronteira, não haverá solução para desafogar o tráfego de pessoas, cargas e veículos. Atualmente, o principal nó é a lentidão na execução dessa via — que, caso não haja repactuação do cronograma, deverá ficar pronta somente em 2027.
Agentes públicos do Paraguai, em todos os níveis, devem unir-se para garantir a conclusão dos projetos em tempo adequado, como o término da ponte sobre o Rio Monday, bem como as obras de alargamento e revitalização de vias públicas em Presidente Franco.
Diante desses desafios, a ACIFI defende:
1) ação institucional prioritária e enfática do governo federal do Paraguai para acelerar a execução da ponte sobre o Rio Monday e das demais obras de acesso e infraestrutura relacionadas;
2) criação de um comitê bilateral permanente, sob coordenação do Conselho de Desenvolvimento Trinacional (Codetri), formado por representantes de órgãos públicos do Brasil e do Paraguai, administrações aduaneiras, entidades empresariais, operadores logísticos, transportadores e demais associações organizadas do setor privado;
3) discussão entre Brasil e Paraguai e implementação imediata de medidas temporárias e coordenadas para reduzir o represamento de cargas e melhorar a circulação na Ponte da Amizade.
Pauta para o debate
A ACIFI antecipa eventuais medidas para análise no âmbito da cooperação e do diálogo binacional. Uma delas é a ampliação dos horários de liberação e recebimento de cargas no lado paraguaio durante os dias úteis, acompanhada da adoção de expediente regular de liberação aos sábados. São iniciativas que podem elevar a capacidade operacional, distribuir melhor o fluxo ao longo da semana e reduzir o represamento de veículos na fronteira.
(Assessoria de imprensa da ACIFI)

