Fundada em 19 de julho de 1951, a entidade alia representatividade empresarial e desenvolvimento.
Na década de 1950, o potencial econômico e social, a riqueza natural e a localização estratégica de Foz do Iguaçu contrastavam com as carências estruturais que limitavam o seu crescimento. Há 75 anos, assim, 39 pioneiros fundaram a ACIFI (Associação Comercial e Empresarial de Foz do Iguaçu) para enfrentar os obstáculos com união, trabalho e representatividade.
A associação foi oficialmente criada em 19 de julho de 1951, com o estatuto consolidado no mês seguinte. A primeira gestão, uma diretoria provisória de dois anos, foi formada por Pedro Basso, presidente; Augusto Araújo, vice-presidente; Eurides José da Silva, secretário; e André Comi, tesoureiro.

Edital de assembleia em 1951
A ACIFI vivenciou os principais ciclos e vetores econômicos da cidade e da região trinacional, sendo protagonista na indução do crescimento, na modernização e na diversificação da estrutura produtiva, no fomento ao ambiente de negócios e na geração de renda e postos de trabalho.
O apoio à profissionalização dos empresários para ampliar a competitividade e a oferta de melhores produtos e serviços à população, o aperfeiçoamento do marco legal e a defesa intransigente das demandas dos empreendedores são alguns dos destaques dessa trajetória. A jornada de mais de sete décadas também é marcada por uma agenda permanente em favor da infraestrutura e dos investimentos na cidade.
A história de 75 anos da ACIFI articula passado, presente e futuro. Hoje, a associação representa mais de 2.100 empresas associadas (18% do total de firmas em atividade no município), que faturam cerca de R$ 8 bilhões por ano. Elas empregam 18 mil trabalhadores, o que corresponde a 27% dos assalariados da cidade. Esse montante representa uma massa salarial estimada em R$ 700 milhões, equivalente a cerca de 35% dos salários pagos no município.
“Nossa entidade exerce um papel fundamental como elo entre o setor empresarial, o poder público e a sociedade”, enfatiza o presidente da ACIFI, Edmilson Iareski. “É uma história bonita, cheia de conquistas e desafios, que temos o compromisso de levar adiante, movidos pelo orgulho dos que vieram antes e pela responsabilidade que o momento atual exige.”
Se, nos primeiros anos do associativismo iguaçuense, as principais necessidades incluíam vencer o isolamento comercial da cidade, hoje é preciso consolidar a infraestrutura e agir de forma técnica para aproveitar as oportunidades, compara. “Se queremos tornar nossa cidade uma referência, tenho dito e repetido, é preciso união institucional entre prefeitura, Itaipu Binacional, Governo do Estado e sociedade civil”, ressalta Edmilson.
Presidente, governador, pontes e Facisa

A Noticia – 20 de outubro de 1954
Quando a ACIFI foi fundada, em 1951, Foz do Iguaçu tinha menos de 20 mil habitantes. Naqueles anos, ocorreu uma importante divisão territorial, com a criação do município de Cascavel. A comunicação com o Governo do Estado era deficitária, e o momento institucional brasileiro, complexo — contextos federais sempre impactaram a vida na fronteira.
Documentos extraídos de jornais, reunidos pelo Museu da Imprensa de Foz do Iguaçu, revelam a atuação da Associação Comercial e Empresarial em diferentes períodos, pautando demandas e apoiando o desenvolvimento da cidade. Em outubro de 1954, a entidade acionou o presidente do Brasil recém-empossado, Café Filho, por meio do principal meio de comunicação disponível na época: o telégrafo.
No documento, ao recordar a visita do mandatário às Cataratas do Iguaçu, a ACIFI reivindicou que fossem “realizadas as obras necessárias para transformar esta cidade na sala de visitas do Brasil aos olhos dos turistas nacionais e internacionais que aqui aportam, tais como a conclusão edificações, a construção de porto fluvial nos rios Iguaçu e Paraná, o término da estrada de rodagem Ponta Grossa–Foz do Iguaçu e outras”, veiculou o jornal A Notícia em 20 de outubro de 1954.
Ao governador do Paraná, Bento Munhoz da Rocha Netto, a reivindicação foi por obras consideradas vitais, como a pavimentação da Avenida Brasil, a instalação de uma usina de energia, a construção da estrada entre Foz do Iguaçu e Guaíra e a implantação de uma agência do banco estadual. Essa lista parcial refletia a pauta do “comércio, indústria, lavoura e da coletividade em geral de Foz do Iguaçu”, registrou o mesmo jornal em 30 de outubro de 1954.

ACIFI exerce um papel fundamental como elo entre o setor empresarial, o poder público e a sociedade – Foto Roger Meirelles (ACIFI – arquivo)
Historicamente, a ACIFI sempre se manifestou em defesa da integração fronteiriça e da resiliência do comércio local diante das oscilações econômicas. Esse compromisso inclui o acompanhamento da implantação das ligações internacionais, da Ponte da Amizade à Ponte Tancredo Neves e, mais recentemente, à Ponte da Integração.
Entre as contribuições da ACIFI também está o desenvolvimento do ensino superior em Foz do Iguaçu. A entidade acolheu o funcionamento da Facisa (Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas), instituição precursora da Unioeste/Foz (Universidade Estadual do Oeste do Paraná). Em seus primeiros anos, oferecia os cursos de Administração de Empresas e Ciências Contábeis, conforme registrou o jornal Hoje Foz em edição de dezembro de 1979.

