Entidade alerta para impactos econômicos da alteração na escala 6 x 1.
A Associação Comercial e Empresarial de Foz do Iguaçu (ACIFI), principal entidade representativa do setor produtivo do município, que completa 75 anos em 2026 e reúne cerca de 2.300 empresas associadas, que empregam aproximadamente 20 mil trabalhadores (em torno de 30% dos empregos e 35% da massa salarial do município), manifesta preocupação com a forma como vem sendo conduzido o debate sobre a possível mudança na escala 6 x 1 no Congresso Nacional.
A discussão sobre jornada de trabalho é legítima. Qualidade de vida, saúde do trabalhador e modernização das relações são temas relevantes. O setor empresarial não é contrário ao avanço social. No entanto, qualquer alteração precisa considerar a realidade econômica das empresas — especialmente micros e pequenas — e os efeitos práticos sobre emprego, custos e competitividade.
Nesse sentido, a ACIFI convida a sociedade para leitura do parecer técnico elaborado pela União Nacional de Entidades do Comércio e Serviços (UNECS) e Frente Parlamentar de Comércio e Serviços (FCS). O estudo, intitulado “Redução da jornada de trabalho por via legal”, é de autoria do renomado economista Paulo Rabello de Castro, ex-presidente do IBGE e do BNDES.
O parecer, de 26 páginas, “aponta que a análise aprofundada dos dados e dos estudos de impacto setorial não deixa margem para dúvidas: o Brasil encontra-se em uma encruzilhada crítica. A proposta de redução da jornada de trabalho, embora motivada por uma legítima busca por qualidade de vida, pode se tornar, se mal implementada, o catalisador de uma grave crise econômica e social”.
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Ou seja, reduzir jornada sem redução salarial significa elevar o custo da hora trabalhada. Em um ambiente já marcado por alta carga tributária, burocracia e insegurança jurídica, a medida pode provocar consequências como:
- aumento de preços ao consumidor, pressionando ainda mais a inflação;
- estímulo à automação e substituição de mão de obra, que atualmente conta com um agravante que é a falta de mão de obra qualificada;
- redução de empregos formais e crescimento da informalidade;
- risco concreto de fechamento de micros e pequenas empresas.
Em Foz do Iguaçu, município com forte presença do comércio, serviços e turismo, muitas atividades funcionam de forma contínua, inclusive em fins de semana e feriados. A imposição de jornada reduzida obrigatória pode exigir novas contratações ou diminuição no horário de atendimento — alternativas que nem todas as empresas conseguem absorver financeiramente.
Produtividade não se impõe por decreto. O Brasil ainda enfrenta desafios estruturais como baixa produtividade média, déficit de qualificação profissional e ambiente de negócios pouco favorável ao investimento.
A ACIFI defende que mudanças dessa magnitude ocorram com diálogo amplo, negociação coletiva e análise técnica aprofundada. Medidas estruturais não podem ser conduzidas sob viés ideológico ou pressão conjuntural, sob risco de comprometer emprego, renda e sustentabilidade empresarial.
A entidade acompanhará a tramitação da proposta e atuará na defesa de um modelo que preserve a geração de empregos, a segurança jurídica e a competitividade dos negócios.
ACIFI – Associação Comercial e Empresarial de Foz do Iguaçu
Foz do Iguaçu, 19 de fevereiro de 2026.

